Wednesday, September 12, 2007

A SOMBRA DO CASTIGO

 

O silêncio entra em ti

Como um grito pelo escuro

O vazio devora a esperança

Pelo amargo sabor da vingança

 

A magia surge na mente

De um homem que sabe demais

O livro já está escrito

Pelas mãos dos imortais

 

No além

Escuro

Que te transcende

E mantém puro.

 

É a sombra do teu castigo

Quando enfrentas o inimigo

 

 

A peregrinação do tempo

Pela incerteza do confronto.

 

 

A morte vem a caminho

Para o encontro…

 

Eterno

 

Foge da tua alma e leva o teu espírito contigo.

 

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Tuesday, September 11, 2007

SONHO AMERICANO

Dispo-me de razoes soturnas

E de princípios sem fundamento.

Serei o princípio de mim

E o fim do meu tormento

 

Vou extrair a toleima do meu viver

Exorcizar a penosa dor do meu ser

Serei apenas um alma purificada

Transparente, leve e recobrada

 

“O fim, amigo querido

O fim, amigo único, o fim.

Custa-me deixar-te, mas nunca irás para onde eu for.

O fim da risada e das doces mentiras,

O fim das noites em que fizemos por morrer,

É o fim.”

 

Vou perseguir os sonhos de imensidade que kerouak não encontrou

Percorrer os céus intermináveis de Jersey, que um dia ele me falou.

 

Farei amor com a “Jersey girl” sobre o capot do meu Buick azul celeste

Viajarei com ela por toda a terra crua, que se estende até à costa Oeste.

 

É o sonho americano numa fuga desesperada

Uma sina da nossa juventude descontrolada.

Queremos ser livres, queremos sonhar, queremos viver

“Porque vagabundos como nós, nascemos para correr”

 

A noite cai e o jazz solta-se para mim,

Nos bares velhos da “rua nove com Hennepin,

Onde se vêm marcas de dentes de lua no céu”.

Palavras de Waits ao piano, mais bêbado do que eu.

 

Hospedei-me no “Morrison hotel” numa noite de luar

Eu e a “Queen of the highway” fornicamos até nos fartar

 

Assisti perplexo à celebração do Rei Lagarto

Mas a miúda da “love street” morreu de parto

 

Serei um “outsider” com brilhantina, que escrevo poesia

Esta noite vai haver uma luta brava que durará até ser dia

Mas os “greasers” sabem que nunca podem vencer

Mas baterem nos “socs” é uma questão de poder

 

As batalhas impiedosas empurram a juventude inquieta para o precipício

Ninguém sabe, mas somos “rumblefishes” presos num aquário fictício…

 

 

“Hoje à noite na rua as luzes esmorecem

As paredes do quarto fecham-se sobre mim

Lá fora há uma luta que persegue

Mas tu dizes que já não te apetece vencê-la

Quero dormir na cama da minha amada

Sob céus tranquilos, com um país largo e aberto nos olhos

E estes sonhos românticos na cabeça.”

 

 

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CELEBRAÇÃO INTIMA

 

Meu amor,

Acreditas no anjo da guarda

Na alma desencontrada?

No surrealismo do ser,

Viver depois de morrer?

Meu amor,

Acreditas na evocação do rei lagarto?

Num mundo sóbrio, planeado por um Deus farto?

Meu amor…

Na ténue luz do pavio de uma vela acesa

Reside a esperança da humanidade

Mergulhada no sangue da incerteza

…mas podemos continuar a rezar,

Devemos continuar a amar.

A esperança reside na nossa paixão

O nosso amor é uma chama na escuridão

Os anjos tardam em chegar

E as almas podem nunca se encontrar

O rei lagarto e um mito esquecido

E Deus há muito que está adormecido

Mas tu, meu amor,

Tu és tudo para mim

És princípio sem fim

Há uma esperança que perdura no teu doce olhar

És a minha vida, apenas a ti te vou amar.

 

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MUNDO PERFEITO

Acordei a meio da noite sobressaltado

Pressenti que havia algo irregular e alterado

Sai para a rua e penetrei no asfalto

Uma visão sombria tomou-me de assalto:

 

Era Inverno e havia chuva,

A rua estava deserta e viúva

 

Noite sem luar,

Praia sem mar

 

Conchas vazias,

Calendários sem dias

 

 

Terra sem odor,

Fogo sem calor

 

Pessoas sem rosto,

Desilusão sem desgosto

 

Ruído sem sonido

 

Amor sem paixão,

Tempestade sem trovão

 

Rosas sem cor,

Paz sem amor…

 

Regressei a casa triste, vazio e taciturno

Deitei-me na cama e vagueei pelo sono nocturno

Sonhei com um mundo imperfeito e insano

Aquele que sempre conheci e tanto amo!

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Friday, September 7, 2007

METAMORFOSE

Acordei sob uma lua sombria

 

Cujo espectro nocturno me arrepia

 

Olhei para mim, cheio de perplexidade

 

Nem pude crer na crua realidade.

 

 

Eu estava transformado num verme horroroso

 

Com garras, pêlos e semblante monstruoso

 

Ergui-me no meio desta horrenda deformação

 

E saí para a rua, para o âmago da confusão.

 

 

Curiosamente, passei despercebido no meio de toda a gente

 

Ninguém olhava, nem reparava na minha forma deficiente

 

 

E assim, apoiado nas minhas patas de verme ressequidas

 

Fui-me arrastando devagar, por entre vielas e avenidas

 

 

Inesperadamente, reparei em algo invulgar e insano

 

O mundo era feio, desconforme, anormal e desumano

 

Eram todos monstros com vozes estridentes

 

Caminhavam sem rumo em passos incongruentes.

 

 

Pensei num pesadelo horrível que havia de terminar

 

Mas apercebi-me com horror, que nunca havia de acordar

 

A cidade continuava suja, feia e conspurcada

 

Os seres horrendos não tinham mudado em nada

 

 

Por fim, reparei que possuía asas e podia voar

 

E assim levantei voo e desapareci dali no ar

 

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MENSAGEM NA GARRAFA

Neste pedaço de papel amarrotado

 

Onde assumo estar apaixonado

 

Recordo-me do nosso amor ardente

 

Da nossa paixão incandescente

 

 

 As palavras gotejam no papel

 

Como as tintas do pincel

 

Do artista inspirado,

 

Do homem apaixonado…

 

 

À minha frente o oceano imenso

 

Recorda-me o nosso amor intenso

 

Coloco o manuscrito na garrafa vazia

 

E jogo-a para lá da maresia.

 

 

 

Lá no seu interior

 

Com odor a vinho carrascão

 

Segue a minha mensagem

 

O segredo da nossa paixão.

 

 

“Amo-te sem limites”

 

Pode ler-se entre as linhas

 

Que rabisquei

 

Nunca ninguém amou assim

 

Nunca, jamais alguém.

 

 

Não sei se o mar

 

Levará a carta a seu destino

 

Mas sei que o nosso amor é

 

Forte e clandestino

 

E se está escrito nas estrelas

 

Que te amo de verdade,

 

Então a garrafa pode até naufragar

 

Que não deixas de ser minha

 

Para toda a eternidade.

 

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PAIXÃO IMENSURÁVEL

Sob o olhar atento das falésias;

 

Adiante nas dunas húmidas,

 

Perde-se o olhar sereno e meditativo

 

De uma bela e secreta jovem,

 

Que ama o mar como um dia,

 

A ninfa amou Apolo.

 

 

Os seus olhos, de um castanho invulgar

 

Percorrem o remoto horizonte à distância

 

E fitam a grandeza do imenso e vasto mar

 

Deleitando-se com a sua graciosa fragrância

 

 

E, só a ele indagava, “porque tanto o amava?”

 

 

Indiferente, serena e alheada

 

Da cidade, da gente e da agitação,

 

Asfixiava, quando, por ele vozeava

 

Qual catraia sumida na escuridão

 

 

A bela e jovem ousada

 

De bom coração e alma

 

Assim, sozinha lhe confessava

 

Não amava quem desejava,

 

O amor não existia

 

E quem a ela se confessava,

 

Apenas não a compreendia;

 

 

E, só a ele interrogava, “porque tanto o amava?”

 

 

 

Assim lhe fugiam os dias lacónicos

 

Como um livro desmaiado ao vento

 

Profetizando um amor platónico

 

Desfolhado num sopro breve, ao relento

 

 

Mas o mar nem sempre trás inquietação

 

Como o romper do Sol num amanhecer

 

A alma, também um dia, há-de fender

 

E nas suas ondas trazer, uma grande paixão

 

 

E, só a ele procurava, «porque tanto o amava?»

 

 

 

Amor cristalino, aquele que apega

 

O mar sereno e luzidio, à jovem bela

 

Como o sol numa breve janela

 

Numa manhã clara de primavera

 

 

E, só a ele se sujeitava porque tanto o amava!

 

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Monday, August 20, 2007

EGO NO ESCURO

Há espaços vazios

 

Na minha mente

 

Sofro com dias cinzentos

 

E ninguém sente

 

 

Choro porque não sei

 

O que penso

 

Luto comigo mesmo

 

Mas nunca venço

 

 

 

Estou no vazio

 

Alguém me mentiu

 

Detrás do muro

 

Agora sei,

 

 É o eco da minha voz,

 

Que irrompe do escuro

 

 

A noite é assombrada

 

Por sinistras visões

 

A manhã é devorada

 

Por longas confusões

 

 

 

Riem-se, pois os meus olhos

 

Vêem demais

 

Ignoram, que luto na penumbra

 

Com duas sombras iguais

 

 

Estou tão vazio

 

Alguém me mentiu

 

Detrás do muro

 

Agora sei,

 

 É o eco da minha voz,

 

Que irrompe do escuro

 

 

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Tuesday, August 14, 2007

BONITATEPOLIS

Um dia, sem saber como,

Numa certa manhã invernosa,

Perdi-me na imensidão pedregosa

Da cidade feia onde habitava

Cujo stress me esmagava e matava.

 

Penetrei por entre sombras e labirintos

Perdido por entre duvidas e instintos

Confuso e perdido, temia estar a alucinar

Desemboquei numa cidade de encantar.

 

- Onde estou? Onde vim parar?

- Perguntei a quem passava.

- Estás em Bonitatepolis, amigo

 - Responderam-me sem hesitar.

 

Emborquei na cidade e por ela caminhei

Sempre à vontade, até que me pasmei

 

Em Bonitatepolis,

Os veículos não faziam ruído nem poluição

Os prédios eram coloridos e respirava-se “paixão”

 

As crianças sorriam contentes

OS jovens vivem paixões ardentes

Os velhos eram jovens e felizes

E na rua não se viam meretrizes.

 

Os meus olhos não podiam crer

Que algum ser humano poderia viver

Por entre tanta bondade e doçura

Sem alguma vez cometer uma loucura.

 

Descobri Bonitatepolis por entre um sorriso e uma paixão

Ela existe mesmo, aqui dentro do meu coração.

Queres aventurar-te e vir comigo descobrir a magia desta cidade?

Então fecha os teus olhos e deixa sair a tua bondade!

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O GRITO DO VENTO

Quando a noite desaba

 

Há algo que me transcende

 

Será um clamor,

 

Uma sombra

 

Ou uma chama

 

Que se acende?

 

 

Oiço bradar

 

Por um breve instante

 

Enquanto o escuro

 

Se apaga

 

Num além distante

 

 

Vejo o brilho

 

Da estrela ausente

 

Que me ilumina

 

A direcção perdida

 

O clamor

 

Duma voz oculta

 

Rasga o silêncio

 

Da paz esquecida

 

 

Que eu oiço a chorar…

 

 

Recolham-me da chuva

 

Para que eu possa escutar

 

 

O grito do vento – Implorando para que eu possa voltar

 

O grito do vento – Implorando para que eu cesse de chorar

 

 

 

Deixem-me voar

 

Na direcção da luz da lua,

 

Deixem-me altercar

 

Pelo asfalto desta rua

 

 

 

Levem-me a ouvir

 

A mensagem do vasto mar

 

Libertem-me daqui

 

Para eternamente viver

 

No fulcro do universo

 

Onde todos nos vamos amar.

 

 

Quero conhecer

 

O lado negro do tempo

 

Para queimar

 

Num fogo lento

 

 

Para que eu

 

Possa ser apagado pelo vento.

 

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