Tuesday, September 25, 2007
ULTIMO FÔLEGO

Desperto o meu olhar através de sórdidas madrugadas
Vislumbro marés de destruição sobre emoções despedaçadas
Não descubro paixão nem amor
Não encontro ternura ou calor
Como posso eu voltar a nascer,
Se o sangue do mundo se esvai para mim
E o coração do universo bate fraco, a falecer
Em arritmias descompassadas e sem fim?
Somos miseráveis vagabundos
Viajamos em Eldorados imundos
Através de estradas de destruição
Em busca do suicídio
Em alta velocidade e contra-mão.
Dormimos num berço falso e indistinto
Percorremos rudes trajectos para sair do labirinto
Onde vozes escatológicas berram cada vez mais alto
A humanidade espera, acorrentada
Pelo descerrar do cadafalso
Como posso eu voltar a ter confiança
Se estamos a ser espoliados da nossa esperança
Eu sei que o mundo morreu agora
Senti o último fôlego na brisa da aurora
Friday, September 21, 2007
UM DIA DE CADA VEZ

Vagueio pela noite sem abrigo
Onde Foneus aparece
e goza comigo
Cidade tão triste
Onde nada existe
- Eu não quero apodrecer aqui!
O emprego acabou-se
E o dinheiro esgotou-se
Não há nada que me faça sorrir
Amanha vou mesmo partir
- Eu não quero apodrecer aqui!
Estou só
Confuso e perdido
A vida foge-me das mãos
Não quer nada comigo
Nada me tira a lipidez
Vivo um dia de cada vez
Vivo um dia de cada vez
Adeus, vou-me despedir
Vou para onde a natureza me faz sorrir
Vou voltar a sonhar
Viver numa cabana junto ao mar
INFINITOS DE PAIXÃO
Anda amor, vamos desbravar serras e colinas
Vem fresca como a brisa
E une as tuas mãos às minhas
A vida espera por nós,
Bem deves saber
Vamo-nos amar até ao amanhecer
E se o horizonte fica tingido e rubro
É porque sabe que é nesta imensidão que te descubro
Descubro que és real
Que podes rir e chorar
E que nunca deixarei de te amar
Mas se estes infinitos são tudo e não têm fim
Tu és loucura e és tudo para mim.
Wednesday, September 19, 2007
FRASES DE AMOR EM ITALIANO - VÁRIOS AUTORES

Se la tua vita dipendesse dall’amore che provo per te, potresti considerarti immortale… Ti amo…
Non so se Angeli vivono in Cielo o in Terra, ma so che l’Angelo più bello sta leggendo questo messaggio. TI AMO!.
Non ti chiamo vita mia perche la vita termina.Ti chamo amore moi, perché làmore é eterno
Tuesday, September 18, 2007
LÁGRIMAS

A chuva que desaba lá fora
Pode não ser gotas de água
Mas as lágrimas de alguém que chora
O céu ébrio e sem cor
Pode ser apenas o reflexo
Do rosto triste de alguém, amor
O ribombar do trovão
pode não ser nada, querida
mas pode ser o bater forte do um coração
Mas as goteiras de Outono
Não colhem famas
Eu sei que amanha pela manha
Me dirás que me amas
Friday, September 14, 2007
ESPERO POR TI - POEMA DE LUCIA GONCZY

Espero por ti como quem espera a chuva
mesmo antes de cair…sabe quando sente o cheiro
da terra?
Aquela que anuncia…
E’assim que te espero.
Espero por ti
Como a lua que se esvai triste por ser apenas
a sombra do sol
Espero por ti…
Como algo inominável…
Como quem nada espera
Assim que tu venhas aportar nas minhas asas
Meio borboleta, meio beija-flor
Espero por ti como lenda
Como amor
Como não sei mais o quê
Inda que tudo finde…
Espero por ti.
Wednesday, September 12, 2007
GALOPE

Por estes caminhos difíceis
Percorrem cavalos selvagens
È procura de uma fé
Percorrem vales e montes
Galopando sem parar
Não sabendo porquê
Hoje galopam sozinhos
Ao encontro de estradas
Rumos e caminhos
Abatidos pelas ventas
Ensanguentados nas patas
Eles caem mortos no chão
Encontraram o caminho
Que nunca procuraram
Sem saberem a razão
Hoje galoparam sozinhos
Encontraram nas estradas
A morte pelo caminho
A SOMBRA DO CASTIGO
O silêncio entra em ti
Como um grito pelo escuro
O vazio devora a esperança
Pelo amargo sabor da vingança
A magia surge na mente
De um homem que sabe demais
O livro já está escrito
Pelas mãos dos imortais
No além
Escuro
Que te transcende
E mantém puro.
É a sombra do teu castigo
Quando enfrentas o inimigo
A peregrinação do tempo
Pela incerteza do confronto.
A morte vem a caminho
Para o encontro…
Eterno
Foge da tua alma e leva o teu espírito contigo.
Tuesday, September 11, 2007
SONHO AMERICANO
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Dispo-me de razoes soturnas
E de princípios sem fundamento.
Serei o princípio de mim
E o fim do meu tormento
Vou extrair a toleima do meu viver
Exorcizar a penosa dor do meu ser
Serei apenas um alma purificada
Transparente, leve e recobrada
“O fim, amigo querido
O fim, amigo único, o fim.
Custa-me deixar-te, mas nunca irás para onde eu for.
O fim da risada e das doces mentiras,
O fim das noites em que fizemos por morrer,
É o fim.”
Vou perseguir os sonhos de imensidade que kerouak não encontrou
Percorrer os céus intermináveis de Jersey, que um dia ele me falou.
Farei amor com a “Jersey girl” sobre o capot do meu Buick azul celeste
Viajarei com ela por toda a terra crua, que se estende até à costa Oeste.
É o sonho americano numa fuga desesperada
Uma sina da nossa juventude descontrolada.
Queremos ser livres, queremos sonhar, queremos viver
“Porque vagabundos como nós, nascemos para correr”
A noite cai e o jazz solta-se para mim,
Nos bares velhos da “rua nove com Hennepin,
Onde se vêm marcas de dentes de lua no céu”.
Palavras de Waits ao piano, mais bêbado do que eu.
Hospedei-me no “Morrison hotel” numa noite de luar
Eu e a “Queen of the highway” fornicamos até nos fartar
Assisti perplexo à celebração do Rei Lagarto
Mas a miúda da “love street” morreu de parto
Serei um “outsider” com brilhantina, que escrevo poesia
Esta noite vai haver uma luta brava que durará até ser dia
Mas os “greasers” sabem que nunca podem vencer
Mas baterem nos “socs” é uma questão de poder
As batalhas impiedosas empurram a juventude inquieta para o precipício
Ninguém sabe, mas somos “rumblefishes” presos num aquário fictício…
“Hoje à noite na rua as luzes esmorecem
As paredes do quarto fecham-se sobre mim
Lá fora há uma luta que persegue
Mas tu dizes que já não te apetece vencê-la
Quero dormir na cama da minha amada
Sob céus tranquilos, com um país largo e aberto nos olhos
E estes sonhos românticos na cabeça.”