ULTIMO FÔLEGO

Desperto o meu olhar através de sórdidas madrugadas
Vislumbro marés de destruição sobre emoções despedaçadas
Não descubro paixão nem amor
Não encontro ternura ou calor
Como posso eu voltar a nascer,
Se o sangue do mundo se esvai para mim
E o coração do universo bate fraco, a falecer
Em arritmias descompassadas e sem fim?
Somos miseráveis vagabundos
Viajamos em Eldorados imundos
Através de estradas de destruição
Em busca do suicídio
Em alta velocidade e contra-mão.
Dormimos num berço falso e indistinto
Percorremos rudes trajectos para sair do labirinto
Onde vozes escatológicas berram cada vez mais alto
A humanidade espera, acorrentada
Pelo descerrar do cadafalso
Como posso eu voltar a ter confiança
Se estamos a ser espoliados da nossa esperança
Eu sei que o mundo morreu agora
Senti o último fôlego na brisa da aurora