Tuesday, September 11, 2007

SONHO AMERICANO

Dispo-me de razoes soturnas

E de princípios sem fundamento.

Serei o princípio de mim

E o fim do meu tormento

 

Vou extrair a toleima do meu viver

Exorcizar a penosa dor do meu ser

Serei apenas um alma purificada

Transparente, leve e recobrada

 

“O fim, amigo querido

O fim, amigo único, o fim.

Custa-me deixar-te, mas nunca irás para onde eu for.

O fim da risada e das doces mentiras,

O fim das noites em que fizemos por morrer,

É o fim.”

 

Vou perseguir os sonhos de imensidade que kerouak não encontrou

Percorrer os céus intermináveis de Jersey, que um dia ele me falou.

 

Farei amor com a “Jersey girl” sobre o capot do meu Buick azul celeste

Viajarei com ela por toda a terra crua, que se estende até à costa Oeste.

 

É o sonho americano numa fuga desesperada

Uma sina da nossa juventude descontrolada.

Queremos ser livres, queremos sonhar, queremos viver

“Porque vagabundos como nós, nascemos para correr”

 

A noite cai e o jazz solta-se para mim,

Nos bares velhos da “rua nove com Hennepin,

Onde se vêm marcas de dentes de lua no céu”.

Palavras de Waits ao piano, mais bêbado do que eu.

 

Hospedei-me no “Morrison hotel” numa noite de luar

Eu e a “Queen of the highway” fornicamos até nos fartar

 

Assisti perplexo à celebração do Rei Lagarto

Mas a miúda da “love street” morreu de parto

 

Serei um “outsider” com brilhantina, que escrevo poesia

Esta noite vai haver uma luta brava que durará até ser dia

Mas os “greasers” sabem que nunca podem vencer

Mas baterem nos “socs” é uma questão de poder

 

As batalhas impiedosas empurram a juventude inquieta para o precipício

Ninguém sabe, mas somos “rumblefishes” presos num aquário fictício…

 

 

“Hoje à noite na rua as luzes esmorecem

As paredes do quarto fecham-se sobre mim

Lá fora há uma luta que persegue

Mas tu dizes que já não te apetece vencê-la

Quero dormir na cama da minha amada

Sob céus tranquilos, com um país largo e aberto nos olhos

E estes sonhos românticos na cabeça.”

 

 

Posted by cthulhu at 11:34:57 | Permalink | No Comments »

CELEBRAÇÃO INTIMA

 

Meu amor,

Acreditas no anjo da guarda

Na alma desencontrada?

No surrealismo do ser,

Viver depois de morrer?

Meu amor,

Acreditas na evocação do rei lagarto?

Num mundo sóbrio, planeado por um Deus farto?

Meu amor…

Na ténue luz do pavio de uma vela acesa

Reside a esperança da humanidade

Mergulhada no sangue da incerteza

…mas podemos continuar a rezar,

Devemos continuar a amar.

A esperança reside na nossa paixão

O nosso amor é uma chama na escuridão

Os anjos tardam em chegar

E as almas podem nunca se encontrar

O rei lagarto e um mito esquecido

E Deus há muito que está adormecido

Mas tu, meu amor,

Tu és tudo para mim

És princípio sem fim

Há uma esperança que perdura no teu doce olhar

És a minha vida, apenas a ti te vou amar.

 

Posted by cthulhu at 11:16:39 | Permalink | No Comments »

MUNDO PERFEITO

Acordei a meio da noite sobressaltado

Pressenti que havia algo irregular e alterado

Sai para a rua e penetrei no asfalto

Uma visão sombria tomou-me de assalto:

 

Era Inverno e havia chuva,

A rua estava deserta e viúva

 

Noite sem luar,

Praia sem mar

 

Conchas vazias,

Calendários sem dias

 

 

Terra sem odor,

Fogo sem calor

 

Pessoas sem rosto,

Desilusão sem desgosto

 

Ruído sem sonido

 

Amor sem paixão,

Tempestade sem trovão

 

Rosas sem cor,

Paz sem amor…

 

Regressei a casa triste, vazio e taciturno

Deitei-me na cama e vagueei pelo sono nocturno

Sonhei com um mundo imperfeito e insano

Aquele que sempre conheci e tanto amo!

Posted by cthulhu at 11:12:49 | Permalink | No Comments »