SONHO AMERICANO
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Dispo-me de razoes soturnas
E de princípios sem fundamento.
Serei o princípio de mim
E o fim do meu tormento
Vou extrair a toleima do meu viver
Exorcizar a penosa dor do meu ser
Serei apenas um alma purificada
Transparente, leve e recobrada
“O fim, amigo querido
O fim, amigo único, o fim.
Custa-me deixar-te, mas nunca irás para onde eu for.
O fim da risada e das doces mentiras,
O fim das noites em que fizemos por morrer,
É o fim.”
Vou perseguir os sonhos de imensidade que kerouak não encontrou
Percorrer os céus intermináveis de Jersey, que um dia ele me falou.
Farei amor com a “Jersey girl” sobre o capot do meu Buick azul celeste
Viajarei com ela por toda a terra crua, que se estende até à costa Oeste.
É o sonho americano numa fuga desesperada
Uma sina da nossa juventude descontrolada.
Queremos ser livres, queremos sonhar, queremos viver
“Porque vagabundos como nós, nascemos para correr”
A noite cai e o jazz solta-se para mim,
Nos bares velhos da “rua nove com Hennepin,
Onde se vêm marcas de dentes de lua no céu”.
Palavras de Waits ao piano, mais bêbado do que eu.
Hospedei-me no “Morrison hotel” numa noite de luar
Eu e a “Queen of the highway” fornicamos até nos fartar
Assisti perplexo à celebração do Rei Lagarto
Mas a miúda da “love street” morreu de parto
Serei um “outsider” com brilhantina, que escrevo poesia
Esta noite vai haver uma luta brava que durará até ser dia
Mas os “greasers” sabem que nunca podem vencer
Mas baterem nos “socs” é uma questão de poder
As batalhas impiedosas empurram a juventude inquieta para o precipício
Ninguém sabe, mas somos “rumblefishes” presos num aquário fictício…
“Hoje à noite na rua as luzes esmorecem
As paredes do quarto fecham-se sobre mim
Lá fora há uma luta que persegue
Mas tu dizes que já não te apetece vencê-la
Quero dormir na cama da minha amada
Sob céus tranquilos, com um país largo e aberto nos olhos
E estes sonhos românticos na cabeça.”

