Friday, September 7, 2007

METAMORFOSE

Acordei sob uma lua sombria

 

Cujo espectro nocturno me arrepia

 

Olhei para mim, cheio de perplexidade

 

Nem pude crer na crua realidade.

 

 

Eu estava transformado num verme horroroso

 

Com garras, pêlos e semblante monstruoso

 

Ergui-me no meio desta horrenda deformação

 

E saí para a rua, para o âmago da confusão.

 

 

Curiosamente, passei despercebido no meio de toda a gente

 

Ninguém olhava, nem reparava na minha forma deficiente

 

 

E assim, apoiado nas minhas patas de verme ressequidas

 

Fui-me arrastando devagar, por entre vielas e avenidas

 

 

Inesperadamente, reparei em algo invulgar e insano

 

O mundo era feio, desconforme, anormal e desumano

 

Eram todos monstros com vozes estridentes

 

Caminhavam sem rumo em passos incongruentes.

 

 

Pensei num pesadelo horrível que havia de terminar

 

Mas apercebi-me com horror, que nunca havia de acordar

 

A cidade continuava suja, feia e conspurcada

 

Os seres horrendos não tinham mudado em nada

 

 

Por fim, reparei que possuía asas e podia voar

 

E assim levantei voo e desapareci dali no ar

 

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MENSAGEM NA GARRAFA

Neste pedaço de papel amarrotado

 

Onde assumo estar apaixonado

 

Recordo-me do nosso amor ardente

 

Da nossa paixão incandescente

 

 

 As palavras gotejam no papel

 

Como as tintas do pincel

 

Do artista inspirado,

 

Do homem apaixonado…

 

 

À minha frente o oceano imenso

 

Recorda-me o nosso amor intenso

 

Coloco o manuscrito na garrafa vazia

 

E jogo-a para lá da maresia.

 

 

 

Lá no seu interior

 

Com odor a vinho carrascão

 

Segue a minha mensagem

 

O segredo da nossa paixão.

 

 

“Amo-te sem limites”

 

Pode ler-se entre as linhas

 

Que rabisquei

 

Nunca ninguém amou assim

 

Nunca, jamais alguém.

 

 

Não sei se o mar

 

Levará a carta a seu destino

 

Mas sei que o nosso amor é

 

Forte e clandestino

 

E se está escrito nas estrelas

 

Que te amo de verdade,

 

Então a garrafa pode até naufragar

 

Que não deixas de ser minha

 

Para toda a eternidade.

 

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PAIXÃO IMENSURÁVEL

Sob o olhar atento das falésias;

 

Adiante nas dunas húmidas,

 

Perde-se o olhar sereno e meditativo

 

De uma bela e secreta jovem,

 

Que ama o mar como um dia,

 

A ninfa amou Apolo.

 

 

Os seus olhos, de um castanho invulgar

 

Percorrem o remoto horizonte à distância

 

E fitam a grandeza do imenso e vasto mar

 

Deleitando-se com a sua graciosa fragrância

 

 

E, só a ele indagava, “porque tanto o amava?”

 

 

Indiferente, serena e alheada

 

Da cidade, da gente e da agitação,

 

Asfixiava, quando, por ele vozeava

 

Qual catraia sumida na escuridão

 

 

A bela e jovem ousada

 

De bom coração e alma

 

Assim, sozinha lhe confessava

 

Não amava quem desejava,

 

O amor não existia

 

E quem a ela se confessava,

 

Apenas não a compreendia;

 

 

E, só a ele interrogava, “porque tanto o amava?”

 

 

 

Assim lhe fugiam os dias lacónicos

 

Como um livro desmaiado ao vento

 

Profetizando um amor platónico

 

Desfolhado num sopro breve, ao relento

 

 

Mas o mar nem sempre trás inquietação

 

Como o romper do Sol num amanhecer

 

A alma, também um dia, há-de fender

 

E nas suas ondas trazer, uma grande paixão

 

 

E, só a ele procurava, «porque tanto o amava?»

 

 

 

Amor cristalino, aquele que apega

 

O mar sereno e luzidio, à jovem bela

 

Como o sol numa breve janela

 

Numa manhã clara de primavera

 

 

E, só a ele se sujeitava porque tanto o amava!

 

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