METAMORFOSE
Acordei sob uma lua sombria
Cujo espectro nocturno me arrepia
Olhei para mim, cheio de perplexidade
Nem pude crer na crua realidade.
Eu estava transformado num verme horroroso
Com garras, pêlos e semblante monstruoso
Ergui-me no meio desta horrenda deformação
E saí para a rua, para o âmago da confusão.
Curiosamente, passei despercebido no meio de toda a gente
Ninguém olhava, nem reparava na minha forma deficiente
E assim, apoiado nas minhas patas de verme ressequidas
Fui-me arrastando devagar, por entre vielas e avenidas
Inesperadamente, reparei em algo invulgar e insano
O mundo era feio, desconforme, anormal e desumano
Eram todos monstros com vozes estridentes
Caminhavam sem rumo em passos incongruentes.
Pensei num pesadelo horrível que havia de terminar
Mas apercebi-me com horror, que nunca havia de acordar
A cidade continuava suja, feia e conspurcada
Os seres horrendos não tinham mudado em nada
Por fim, reparei que possuía asas e podia voar
E assim levantei voo e desapareci dali no ar
|


